“Tratar a madeira com amor é perpetuar no produto o espírito da floresta.”

“A Globalização tende a homogeneizar o design internacional. Uma idéia surgida num país com tradição no design torna-se uma tendência universal. Na minha área em particular – equipamentos de interior – “interpretar” esta tendência interfere na minha criatividade. Sejamos todos criadores de tendência para que o nosso design tenha características que o identifiquem como um produto brasileiro e seja reconhecido como o foi a nossa arquitetura no passado.”

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A Poltrona Mole

… Ah, a Poltrona Mole! Quem nunca se sentou numa não sabe o que é…; perdão, na poltrona Mole não se senta, refestela-se, repimpa-se, repoltreia-se. É um regaço de jacarandá, tiras de couro e almofadas, que entrou para a história do mobiliário brasileiro na mesma época, e com a mais força expressiva, da Bossa Nova. Como também fez sucesso no exterior, com o nome de Sheriff Chair, as comparações com “Garota de Ipanema” e Brasília não puderam ser evitadas. Um dos emblemas do fastígio cultural que o Brasil viveu nos anos JK –quando vencemos duas copas do Mundo e inventamos um samba diferente, a revista “Senhor” e o Cinema Novo –, a Poltrona Mole foi a resposta que tínhamos para dar à tirania de Bauhaus. Uma Garrincha de quatro pernas driblando o racionalismo teutônico.”

Sergio Augusto
Jornalista, O Globo, Estado de S. Paulo
O GLOBO, 6 de setembro de 1997.
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